
No centro do forró tradicional, também conhecido como forró pé de serra, está uma formação musical que sobrevive há décadas sem perder sua essência: zabumba, triângulo e sanfona. Esses três instrumentos formam o núcleo principal de um gênero que, mesmo diante de modismos e pressões comerciais, mantém viva sua identidade. E quando o mês de junho chega, o som desses equipamentos ecoa por Campina Grande, na Paraíba.
É em época de São João que os trios de forró pé de serra se tornam protagonistas das festas populares, uma tradição nordestina como um chamado para os artistas que gera renda e atrai turistas. Mas como esses músicos que dependem do período se sustentam quando as bandeirolas são recolhidas?
Embora o período junino concentre a maior demanda, os trios podem manter uma rotina constante de apresentações ao longo do ano. Em casas de forró, festas particulares, eventos culturais e bares de diferentes cidades, levando o ritmo nordestino para diversos públicos. Mesmo fora da temporada de São João, é possível garantir alguma estabilidade, graças ao apoio de associações locais, trabalhos informais e a resistência dos próprios músicos, que seguem firmes com apresentações independentes.

Além de promover a cultura local, esses trios ajudam a dinamizar a economia. Eles geram renda direta por meio de cachês pagos por prefeituras, empresas ou pequenos eventos particulares, e também movimentam uma cadeia produtiva: transportes, alimentação, figurinos, e instrumentos. Em muitos casos, o show de um trio de forró em uma feira ou evento comunitário e festas torna-se o ponto alto da visita de um turista.
Fora do período junino, alguns músicos possuem também trabalhos formais. Sendo assim, muitos mantêm empregos em outras áreas e conciliam a rotina profissional com a paixão pela música.
